segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PRECISAMOS JEJUAR NO TEMPO DA GRAÇA?

Não é difícil para muitos cristãos compreenderem que o relacionamento entre Deus e o homem são baseados em duas alianças, pois a própria bíblia apresenta-se dividida em duas partes: o antigo e o novo testamento. Contudo, poucos conseguem fazer separação entre a conduta que deveriam ter os servos de Deus mediante o tempo da lei e a conduta destes mediante o tempo da graça.
Tomemos como exemplo a prática do Jejum. Sabemos que a primeira aliança consiste em comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até ao tempo da correção(Hebreus 9.10). Sendo assim, a Palavras em Zacarias 8.9, diz: Assim diz o Senhor dos exércitos: O jejum do quarto mês, bem como o do quinto, o do sétimo, e do décimo mês se tornarão para a casa de Judá em regozijo, alegria, e festas alegres; amai, pois, a verdade e a paz.
Percebemos que haviam dias estabelecidos por Deus para que se praticasse o jejum. O próprio Moisés passou quarenta dias e quarenta noites jejuando no Monte Sinai para trazer aos judeus a pedra dos Dez Mandamentos, escritos pelos dedos do Pai Altíssimo, conforme descreve o texto abaixo:
Moisés esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras do pacto, os dez mandamentos (Êxodo 34.28).
Assim também, Jesus, vivendo sob a lei e com a missão de cumpri-la, passou quarenta dias e quarenta noites jejuando, santificando-se no deserto (Mateus 4.2), não mais para trazer tábuas de pedra aos servos de Deus, mas para que se cumprisse a promessa do novo pacto que seria estabelecido por Deus através de seu Filho, Jesus Cristo. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo (Jeremias 31.33).
A Velha Aliança era uma alegoria para o tempo presente, (Hebreus 9.9). Quando o autor de hebreus explica a função dos sumos sacerdotes da velha aliança, afirma: Os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais...  (Hebreus 8.5), porque lei era sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas (Hebreus 10.1).
E o mais interessante, é que, sendo o jejum uma das ordenanças do antigo pacto, mesmo em plena vigência da lei, a maioria dos que o praticavam, não conseguiam, com esse ritual, agradar o coração de Deus, pois não havia amor em seus corações, Deus não ocupava o primeiro lugar em suas vidas, e o amor ao próximo estava esquecido. Por isso o próprio Deus os advertiu dizendo:
Seria este o jejum que escolhi? que o homem um dia aflija a sua alma incline a sua cabeça como junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade desfaça as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres e desabrigados, e se, vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? (Isaías 58:5-7).
É notório que Deus não vê como vê o homem, que se preocupa só com o que é aparente, mas Deus olha para o desígnio do coração, isto sim, é o que vai determinar nossa aceitação ou reprovação por parte do Senhor.
Mas analisemos um episódio citado no Novo Testamento onde o jejum é mencionado: E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou. Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes disse: Por causa da pequenez da vossa fé.
Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível [Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum] (Mateus 17: 18-21).
Observe que o versículo 21 está entre colchetes. E é interessante notarmos que imediatamente após a pergunta dos discípulos sobre o porquê não conseguiram expulsar o demônio, o Senhor já havia lhes dado a resposta dizendo: Por causa da pequenez da vossa fé. Sendo assim, por que então, a frase entre colchetes?
 A própria Sociedade Bíblica do Brasil explica o motivo de algumas passagens do Novo Testamento aparecerem entre colchetes, afirmando que essas passagens não se encontram no texto grego adotado pela Comissão Revisora, mas que haviam sido incluídas por João Ferreira de Almeida e seus colaboradores com base nos textos que eles tinham.
Se estudarmos os manuscritos originais disponíveis no site www.codexsinaiticus.org veremos claramente que o versículo 21 não está contido nos mesmos, ou seja, Jesus nunca teria afirmado que para se expulsar demônios, é necessário jejum e oração, e se porventura, o Senhor tivesse mesmo dado alguma virtude e poder ao jejum, a Palavra do Mestre seria contraditória, pois, estaria dando aos discípulos dupla respostas distintas a um mesmo questionamento.
Analisemos agora outro texto do novo testamento que menciona a prática do jejum, e observemos a resposta do Senhor aos discípulos de João quando lhe perguntaram por que os seus discípulos não jejuavam:
E disse-lhes Jesus: Podem, porventura, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão.
Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam (Mateus 9.15-17).
A frase: “Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo” citada pelo Mestre, refere-se aos dias vivenciados pelos apóstolos entre a sua crucificação e a descida do Espírito Santo, pois, nesse período os seus apóstolos permaneceram em jejum e constantes orações.
Mas depois da sua ressurreição, foi-nos enviado o seu Espírito Santo conforme a promessa de Cristo:Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito. (João 14: 26). E ainda em Mateus 28.20: ... eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
Irmãos, se o Senhor está conosco através do Espírito Santo, o jejuar é colocar remendo novo em pano velho, pois o poder vem do Espírito Santo e não do jejum. Mas vós recebereis as virtudes do Espírito Santo que há de vir sobre vós (Atos 1.8).
Lembremos que o Cristo Ressurreto ordenou aos seus discípulos que expulsassem os demônios em seu Nome e não com jejunsE estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas... (Marcos 16.17).
Sabemos que a prática do jejum exige muito sacrifício ao nosso corpo físico, mas o Senhor disse que sacrifícios não lhe agradaram, por isso Ele requer obediência e não sacrifício (Marcos 12.33).
É bem verdade que no Novo Testamento há algumas referências citando o jejum, porém, não mais como ordenança, porque o jejum mencionado pelos apóstolos não se tratava de rituais, mas jejum como sinônimo de fome, porque muitas vezes eram açoitados, presos, passavam fome e frio, eram flagelados.
No tempo da graça, nenhum ritual se faz necessário para promover a santificação dos filhos de Deus. O que nos fortalece é a própria vida de Cristo em nós. Por isso a Palavra nos assegura que a nossa luta não é contra a carne e nem o sangue, ou seja, não é contra algo palpável, mas contra os príncipes das trevas deste século e as hostes (exércitos) das potestades do mal.
Mas, se estivermos fortalecidos no Senhor e revestidos da armadura de Deus, vivendo de fé em fé, então a autoridade espiritual do Senhor nos será suficiente para que não sejamos atingidos pelos dardos inflamáveis do inimigo, para combater as forças espirituais da maldade. (Efésios 6.10-18).
E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo na cruz. (Colossenses 2.15).
PARA REFLEXÃO:
Disse Jesus: Não me escolhestes vós a mim, mas eu escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao PaiEle vos conceda (João 15.16).  
 Louvai ao Senhor

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